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29.11.2018 · Palavra Livre
“Todos os dias são de Consciência Negra, reflexão e luta contra a desigualdade”, diz professora
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O Dia da Consciência Negra, celebrado oficialmente em 20 de novembro, enseja uma reflexão que deve ser feita diariamente sobre a luta por igualdade e busca de oportunidades, para que todos possam viver numa sociedade melhor. Essa foi a temática abordada pela professora de História Vânia Lucia Baptista Duarte, especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça, que ocupou a Tribuna da Câmara Municipal de Vereadores na sessão ordinária desta quinta-feira (29), a convite da vereadora Enfermeira Cida Amaral. 

"A data serve para refletirmos sobre as mazelas que os negros sofreram por processos históricos, a responsabilidade de correção e de ressignificação é de toda a população brasileira, pois há possibilidade de melhorarmos as condições sociais para todos os brasileiros”, afirmou a professora.

Ela destacou que a data remete a Zumbi dos Palmares, herói negro brasileiro que, muitas vezes, tem sua história de luta negada. Esteve a frente do Quilombo dos Palmares, em Alagoas, com realizações importantes para que a população negra tivesse condições melhores, fora do jugo da escravização. O 20 de novembro lembra o cruel assassinato de Zumbi dos Palmares, em que sua cabeça foi pendurada em praça pública para que o negro não lutasse pela sua liberdade. 

“A temática da população negra não deve se resumir apenas a essa data. Ainda estamos em luta pelas mesmas oportunidades”, enfatizou. Ela destacou que a Consciência Negra não é apenas para os negros, pois não seria eficaz de forma isolada. ”Temos ainda desigualdade em todos os setores. Cadê o negro e a negra nos espaços de poder?”, questionou.  

A professora alertou para as dificuldades concernentes à escolaridade, pois como reflexo da história do Brasil o negro ainda sofre por não ter tido como estudar quando estava na condição de escravo, quando não era dono da própria vida, e depois, por leis que o impediam de frequentar as escolas. “Hoje, 130 anos depois, a população negra não vive condição de escravizado, mas isso não significa que a condição de desigualdade não permaneça, a luta continua”, afirmou.  

Ainda em relação à educação, a professora enfatizou a necessidade de ressignificar a história da população negra, pois na escola só aprende-se que negro foi escravizado e houve a abolição em 13 de maio de 1988. “Mas onde está o negro no século 21 no Brasil? Será que tem destaque na sociedade brasileira?” 

Ela enfatizou que, apesar de conquistas obtidas, a democracia racial não aconteceu. Ela destacou como positiva a Lei da Cota no serviço público e nas universidades no País, além da criação da Coordenadoria de Políticas para Promoção de Igualdade Racial pela Prefeitura de Campo Grande, dando mais ênfase para esse tema. 

“Comemoramos essa data com celebrações, mas também com reflexão, porque queremos sociedade melhor para toda a população”, finalizou. 

 

Milena Crestani 

Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal 

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