Promotor cobra presença da família na escola e diz que distribuir camisinhas é papel da área da saúde

08.11.2011 · 12:00 · Projeto

O papel da família na educação dos filhos foi amplamente debatido durante a sessão ordinária desta terça-feira (8), na Câmara Municipal de Campo Grande, pelo  Promotor da Vara de Infância e Juventude, Sérgio Harfouche  que apresentou aos parlamentares da Casa dados alarmantes sobre gravidez precoce e homicídios que ocorrem entre adolescentes e jovens no país.

 

 

A convite do presidente do Legislativo Municipal, vereador Paulo Siufi (PMDB), Sérgio Harfouche fez uma explanação acerca do  tema  “Riscos urgentes  na infância e juventude” para  explicar a importância da presença da família no ambiente escolar, principalmente na educação sexual dos adolescentes, que hoje está, segundo o Promotor, por conta, apenas, de educadores. “Os números mostram que nunca tantas adolescentes engravidaram, tanto, abaixo dos 15 anos. 700 mil meninas abaixo de 15 anos estão engravidando no Brasil. Isso gera efeito colateral no oferecimento de serviços de creche. O Brasil é o sexto país do mundo em mortes de adolescentes, Campo Grande é a décima capital do país em homicídios de adolescentes. O país tem uns 100 números de usuários de drogas. A Secretaria Nacional Antidrogas não tem número estimado de adolescentes. O Brasil não sabe quantos adolescentes são consumidores de drogas. Precisamos lembrar que quem usa crack não chega nas universidades. Precisamos lembrar que quem usa crack não fica mais em casa. Precisamos resgatar a autoridade. O que nos  preocupa é que insistimos em políticas equivocadas. Nós precisamos resgatar as autoridades dos pais sob os filhos nos lares, a autoridade dos professores nas escolas”, disse Sérgio Harfouche.

 

Como forma de chamar atenção para o problema da sexualidade precoce, o Promotor da Vara de Infância e Juventude lembrou da proposta que veda  a instalação de máquinas dispensadoras de preservativos nas escolas do ensino básico e fundamental da rede pública e particular do município de Campo Grande, já reformulada, que deve ser reapresentada, nos próximos na Câmara Municipal. Segundo Harfouche, os pais são unânimes em defender a medida.  “Registramos em ata e dizemos que aqui nessa escola os pais decidiram pela não distribuição de camisinhas. Agora os pais que aceitam, que são uns dois ou três que sejam distribuídas para eles. Se nós fizermos, por exemplo, a pergunta sobre distribuição de camisinhas na parada gay teremos 100% de aprovação. E entre adolescentes teríamos um número expressivo também. Então fica a pergunta: qual de nós quer pagar conta vai? Temos de ouvir os pais porque quem vai na delegacia, no IML [ Instituto Médico Legal] é pai e mãe, então se quer distribuir camisinhas chamem os pais e não os filhos diretamente”, acrescentou o Promotor.

 

 

Para Paulo Siufi a família  está sendo deixada de lado. "As pessoas se envolvem em coisas matérias deixando de lado aquilo que são nossos maiores tesouros: nossos filhos, nossas  crianças. A escola foi criada para ensinar, orientar, posto de saúde para atender, fazer a outra ponta do conhecimento,  mas da área de saúde. É lá que devem ser distribuídas as camisinhas. Do contrário teremos uma cidade sem princípios.  Vamos votar o projeto, tenho a nítida convicção de que não estou aqui por acaso, mas para defender os bons princípios. As escolas estão para educar, orientar, não podemos tirar a família desse princípio que lhe é constitucional. Podemos  ter um aumento das DSTs porque a camisinha vai servir de instrumento. Eu não vou me curvar àqueles que querem promover a banalização do sexo que deve ser praticado por pessoas maduras no momento certo e na hora certa”, explicou Paulo Siufi. 

 

 

Conforme Thais Helena os pais têm de assumir a responsabilidade e estar mais próximos dos filhos e não delegar essa função para a escola. “O debate deveria ser outro, o da conscientização, e não sobre a distribuição de caminhas. Quero dizer que muitos jovens não querem. Uma jovem, participante do Parlamento Jovem pediu  pela valorização da família foi a fala desta jovem e é isso que nós precisamos colocar nas escolas. Que esses adolescentes  possam respeitar seus pais. Para que possam valorizar suas vidas. Queremos a valorização e a dignidade humana. Não podemos admitir isso, deixar que a escola cumpra a função que é dos pais” colocou Thais Helena.

 

Tanto os vereadores Loester e Athayde posicionaram-se contra  à proposta alegando que o fato de instalar máquinas de camisinhas em escolas irá reduzir os índices de gravidez precoce entre as adolescentes. “Sou favorável que camisinhas sejam liberadas nas escolas. A impressão que se dá é que isso será feito aleatoriamente, mas é um programa, um projeto nacional, o aluno para receber a camisinha terá de ser acompanhado. É um projeto que se der certo será muito bom’, defendeu Loester. De acordo com Athayde Nery, o que têm contribuído para o crescente índice de adolescentes grávidas é a falta de informação. “Se olharmos o projeto [ proposto pelo governo federal] veremos que seus objetivos não estão ali para estimular, mas para reconhecer uma realidade que está aí no numero de jovens e  adolescentes ficando grávidas.  Uso os argumentos de vossa excelência para que camisinhas sejam distribuídas como um ato de preservação de adolescentes”, rebateu  Athayde Nery.

 

 “Podemos orientar o consumo de drogas mas não dar subsidio. A questão é: se nós tivermos errados quem vai pagar essa conta, de uma, ou duas gerações. Uma geração instruída no erro. Já dizia Nietzsche [filósofo alemão] os piores erros da humanidade não se cometeram pelas dúvidas, mas sim pelos erros. Temos de trazer os pais a responsabilidade, por isso a minha contribuição é modesta e despretensiosa, é mais por orientação ideológica. O que nós precisamos  é que essas 700 mil adolescentes sejam responsáveis pelos seus atos. O sexo gera vidas. A escola não é ambiente para lidar com esse assunto temos a saúde para isso. Espero que pelo menos os argumentos e vetos que se tenham se façam com base em dados reais e em ambientes próprios”, concluiu o Promotor  da Vara de Infância e Juventude, Sérgio Harfouche.

 

Projeto –  Assinada pelos vereadores Paulo Siufi, prof. João Rocha, Herculano Borges, Lídio Lopes, Flávio César,Dr. Jamal Salém, Magali Picarelli, Mario César, Grazielle Machado Marcos Alex, Carlos Augusto Borges e Professora Rose, a proposta que veda  a instalação de máquinas dispensadoras de preservativos nas escolas do ensino básico e fundamental da rede pública e particular do município de Campo Grande, assegura em parágrafo único que as escolas do ensino médio da rede pública e particular de ensino poderão instalar Máquinas mediante a comprovação, ao órgão municipal competente, da realização de cursos educacionais preparatórios com a participação de familiares, objetivando uma orientação adequada aos alunos da instituição interessada.

 


A matéria foi vetada pelo prefeito Nelson Trad Filho por apresentar, segundo Nelsinho, generalização à rede pública e particular, sem citar os Centros de Educação Infantil, que conforme o prefeito, trata-se  de um grupo de pessoas que não se encontram em condições, principalmente de idade cronológica, para tal abordagem.

 

O veto foi publicado no dia 21 de setembro, no Diário Oficial do Município. O projeto foi aprovado pelos vereadores no dia 15 setembro deste ano como medida contrária à proposta do governo federal denominado Saúde e Prevenção nas Escolas, a qual  orienta a instalação de máquinas dispensadoras de camisinhas em escolas de todo o país.

 

 

Ana Rita Chagas

Assessoria de Imprensa Câmara Municipal