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20.02.2019 · Audiência Pública
Servidores avaliam condições de trabalho e pedem melhorias em unidades com horário estendido
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A efetividade do horário estendido nas Unidades Básica de Saúde da Família (UBSFs) foi avaliada em audiência pública na manhã desta quarta-feira (20), na Câmara Municipal. Desde o começo do ano, 22 unidades estão funcionando durante 12 horas ininterruptas, a maioria das 7h às 19h. Servidores, por meio dos sindicatos, reivindicam melhores condições de trabalho, reclamando do número insuficiente de profissionais para definir escala e de materiais que estão faltando.

O debate foi convocado pela Comissão Permanente de Saúde da Casa de Leis e presidido pelo vereador Fritz, que visitou várias unidades que tiveram o horário estendido e propôs a discussão para ouvir as demandas dos profissionais e avaliar o que pode ser aperfeiçoado com essa mudança.  “Algumas questões foram prontamente corrigidas pela gestão, mas é interessante pontuarmos todas para regularizarmos ou alinharmos para efetivamente atender melhor a sociedade, dando condição de trabalho ao servidor e, assim, a gestão atingir indicadores para fortalecer a atenção básica na saúde”, disse.

Compareceram representantes dos sindicatos dos médicos, enfermeiros, odontólogos, administrativos da saúde, Conselho Municipal de Saúde, conselhos distritais, gestores de unidades e Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). 

Representantes  

A presidente do Sindicato dos Odontólogos, Marta Maria Duarte, pontuou que os servidores se dispuseram a fazer trabalho da melhor forma, mas ainda não conseguiram chegar a denominador comum nas reuniões feitas com a Sesau. “Está faltando medicamentos e materiais. Além disso, é importante que servidor seja respeitado. Na clínica da família, no Nova Lima e no Caiobá, os profissionais recebem adicionais. Mas e nas outras 22 unidades? O servidor também tem família, tem seus horários e não tem como chefe da unidade chegar e simplesmente mudar horário”, reclamou. Ela cobrou ainda dedicação exclusiva aos profissionais. 

Representando os administrativos da área da saúde, Selva Rosenir também cobrou mais respeito aos profissionais e segurança. “São pais e mães de família, que tiveram sua rotina transformada por questão administrativa”, afirmou. Ela, que atua como recepcionista, também mencionou a importância de que esses profissionais não sejam responsabilizados e desrespeitados pelos pacientes que enfrentam dificuldades no atendimento. “Se o paciente não recebe o exame, tenta nos agredir. Tudo que falta é culpa nossa”, manifestou. 

Na audiência, foram apresentados relatos positivos dos responsáveis pelas unidades. acerca do horário estendido. A gerente da unidade do Botafogo, Aretuza Louzan, disse que a escala foi construída em conjunto com a equipe. ”Fizemos reunião com o conselho local, teve aprovação, as escalas não foram impostas. Os profissionais ajudaram a montar escala para as 40 horas semanais de acordo com a sua realidade. O fluxo de trabalho está muito tranquilo”, afirmou. 

Pelo Sindicato de Enfermagem, Ângelo Macedo, falou da necessidade de diálogo para tentar construir o novo modelo, reivindicando informações sobre como a Sesau está construindo o horário para os profissionais, o que se torna mais difícil ainda quando a equipe está incompleta. 

A secretária adjunta de Saúde do Município, Andressa de Lucca Bento, reforçou o protagonismo dos servidores na elaboração da escala. “A proposta foi construída e está na programação anual de saúde para 2019, para que haja diagnóstico local de território e as unidades façam proposta de ampliação”, afirmou. Assim, os trabalhadores precisam cumprir a jornada de trabalho para as quais foram contratados, construindo seus horários para ter equipe completa e não faltar profissionais para atender ao usuário, mas também adequá-la às suas necessidades, sem imposições. 

A secretária lembrou que o foco do horário ampliado é facilitar o acesso aos usuários e apontou crescimento de 52% de atendimento neste período, em comparação com os mesmos dias do mês passado. Além disso, a busca por vacinas aumentou 77%, conforme dados da Sesau. 

Vereadores 

Ao final, os vereadores fizeram balanço sobre o que foi debatido, apresentando suas considerações. O vereador Dr. Cury lembrou que o horário ampliado é importante para a sociedade de forma geral, mas criticou as declarações de alguns gestores de saúde durante a audiência, sem qualquer queixa a fazer e por não abordarem Recursos Humanos. “Onde está o profissional da saúde? A gente sente que não faz parte das falas dos gerentes. Para tratar com pessoas, tem que amar as pessoas”, argumentou.

A vereadora Enfermeira Cida manifestou estar angustiada com a saúde pública na cidade e com as falhas na atenção básica. “É importante pensarmos, em específico aos gestores, que o usuário é privilégio, razão do meu salário, mas quero saber quem está cuidando de quem cuida?”, questionou.    

Ainda em 2017, a vereadora Enfermeira Cida e o vereador André Salineiro apresentaram projeto de lei para o terceiro turno nas unidades. A proposta foi justamente para estender horário, para quem não pode ir às unidades consultar durante horário comercial, mas foi vetada e implantar apenas neste ano depois de o Ministério da Saúde colocar como proposta de governo. “Vamos protocolar novamente, pois se não for através de lei, o próximo gestor pode acabar com o horário estendido, pois muda a política de governo”, disse. Ele mencionou ainda a necessidade de mais estrutura de trabalho e mecanismos para valorizar os profissionais.

O vereador Dr. Wilson Sami disse que endossa o terceiro turno e manifestou a necessidade de investimentos na saúde preventiva. “As pessoas precisam aprender a comer, a se cuidar, assim vamos diminuir gastos lá na frente, com menos internação hospitalar”, afirmou. Ainda, ele ressaltou a importância da humanização do atendimento até mesmo para, por meio do diálogo, diminuir a intolerância.  

Já o vereador Pastor Jeremias Flores enfatizou que a saúde trata sem olhar a quem, atendendo a todos. “É preciso documentar as reclamações das unidades. Nós vereadores somos fiscalizadores e nossa maior bandeira é defender a sociedade”, afirmou.    

Segundo o vereador Fritz, as demandas apresentadas serão encaminhadas à Sesau. “Pontuo a percepção de todos os vereadores de que está faltando ouvir o trabalhador”, finalizou.  

 

Milena Crestani 

Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal 

 

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