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24.05.2016 · Eventos
Impacto dos acidentes de trânsito na saúde pública foi debatido em palestra
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Soluções para um trânsito mais responsável e o impacto dos acidentes de trânsito na saúde pública foram discutidos durante palestra gratuita realizada na noite desta segunda-feira (23) no Centro de Convenções Albano Franco, como parte das ações da Caravana da Saúde e da Campanha Maio Amarelo, em parceria com a Câmara Municipal de Campo Grande.

 

A palestra foi ministrada pelos palestrantes Eduardo Biavati, mestre em sociologia, escritor e consultor internacional em educação e segurança no trânsito, e Jerry Adriane Dias Rodrigues, o assessor parlamentar do deputado federal Hugo Leal, criador da Lei Seca.

 

Os palestrantes apresentaram dados importantes e alarmantes sobre a violência no trânsito, cujos acidentes são a 9ª maior causa de morte no mundo, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), podendo chegar, mantendo a mesma projeção, ao 5° lugar até 2030.

 

“No mundo morrem cerca de 1,25 milhão de pessoas em acidentes de trânsito por ano. 3 em cada quatro mortos são homens. 49% das vítimas são ciclistas, motociclistas e pedestres. E o dado mais alarmante, 48% das mortes acontecem em apenas 10 países, sendo eles Egito, Camboja, Quênia, México, China, Índia, Rússia, Vietnã, Turquia e Brasil, que ocupa o 4° lugar nesse ranking. Mas vemos que é possível mudar, em 1996 tínhamos 22,6 mortes a cada 100 mil habitantes, o que diminuiu para 17,5 mortes em 2000, por conta da chegada do Novo Código de Trânsito. Até 1996 não tinha radar e o medo da multa mudou o comportamento no trânsito. No Brasil 36,9% dos mortos no trânsito são motociclistas, 30,9% são passageiros de veículos, 4,1% são ciclistas, 25,2% pedestres e 3% outros. O problema é que o nosso limite de velocidade é altíssimo e a velocidade esgota a possibilidade de segurança e sobrevivência em caso de acidente. Ninguém morre numa colisão a 30 km/h. O risco de morte de pessoas atropeladas a 50 km/h é de 80%. A cada uma morte, outros 20 ficam feridos e outros seis ficam em cadeira de rodas”, afirmou Eduardo Biavati durante a palestra.

 

Devido a compromissos parlamentares, o deputado federal Hugo Leal, criador da Lei Seca não pode comparecer à palestra, mas seu assessor Jerry Adriane Dias Rodrigues, detalhou os avanços e impasses da lei que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas para condutores de veículos. “Não podemos ficar alheios ao que a sociedade precisa e precisamos trazer uma legislação que reflita e traduza os anseios da população. O motorista é um sujeito ativo do trânsito e dessa forma, responsável também pela segurança no trânsito. O grande problema da Lei Seca hoje é a não auto-incriminação, que permite que a pessoa se negue a fazer o exame de alcoolemia, pois sem meio de prova a lei não existe. Em um levantamento feito em 2009 com 12.711 estudantes de 100 universidades, 18% assumiram que já dirigiram sob o efeito de álcool e outros 35,9% confirmaram que já usaram droga. Isso é muito preocupante. Precisamos avançar, pois é melhor prevenir os crimes do que ter que puni-los”, disse.

 

Para o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Prof. João Rocha, "é muito importante um evento como esse para discutirmos a questão do trânsito responsável e o reflexo dos acidentes de trânsito na saúde pública. Nós vereadores não podemos deixar de debater e buscar sempre soluções para essas questões que são cruciais para nossa sociedade", disse.

 

De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Nelson Tavares, que acompanhou as palestras, “Para o Governo do Estado, a questão da saúde não é só atenção básica e assistência, temos também dois pontos críticos, não podemos tratar de saúde sem dar a mínima atenção a questão do lixo e do trânsito, porque esses dois pontos impactam fortemente na saúde. Então temos que provocar essa discussão. Porque investir na questão do lixo e do trânsito impacta mais na saúde do que o próprio investimento na saúde. Hoje dos 40 pacientes que eu tenho no centro cirúrgico da  Santa Casa, 35 são vítimas de acidentes de trânsito. Hoje a Santa Casa não faz cirurgia eletiva por causa disso, esse é um problema de saúde pública grave. A educação para o trânsito é importante, mas as pessoas já são globalmente educadas sobre isso. Precisamos aumentar as blitze, porque as pessoas não diminuem a velocidade por medo de acidente, mas por medo de blitz sim”, afirmou.

 

O presidente do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul), Gerson Claro afirmou que “a sociedade vive hoje no Brasil uma epidemia, que são os acidentes de trânsito. E acidente não é uma tragédia, porque tragédia é algo que pode ser evitado. O Estado precisa cumprir seu papel de engenharia e inteligência de trânsito, mas precisamos também do envolvimento da sociedade, por meio de uma mudança de comportamento da sociedade”, alegou.

 

Segundo a superintendente de gestão do trabalho e educação na saúde da Secretaria de Estado de Saúde, Maria de Fátima Cheade, “estamos aqui cuidando da saúde, porque o trânsito é um elemento imprescindível para saúde da população. Viemos trazer a saúde também por meio da educação no trânsito. Estamos preocupados com a educação no trânsito, por conta do grande problema que são os acidentes e a falta de leitos para tratar essas vítimas do trânsito”, destacou.

 

A palestra contou ainda com a presença do advogado Fernando Laranjeira, da Comissão Especial de Trânsito da OAB-MS; do presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do Estado de Mato Grosso do Sul, Wagner Roberto Prado; do presidente do Conselho Comunitário de Segurança do Trânsito, Paulo Matos; da presidente do Conselho Estadual de Trânsito, Regina Maria Duarte e o embaixador do Movimento Maio Amarelo em Mato Grosso do Sul, Renan da Cunha Soares Júnior.

 

Paulline Carrilho
Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal

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