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18.05.2017 · Reunião
Vereadores de 13 municípios se unem e cobram retomada das obras na BR-163

Representantes de 13 câmaras municipais se reuniram em Campo Grande, nesta quinta-feira (18), para cobrar a retomada das obras na BR-163. A CCR MSVia, empresa responsável por duplicar os mais de 800 quilômetros da rodovia em território sul-mato-grossense, paralisou os trabalhos assumidos em 2014 e quer rever o contrato de concessão.

A reunião foi realizada na Câmara Municipal de Campo Grande. Participaram vereadores de Camapuã, Itaquiraí, Naviraí, Nova Alvorada do Sul, Jaraguari, Mundo Novo, Rio Brilhante, São Gabriel do Oeste, Bandeirantes, Rio Verde, Caarapó e Eldorado, além da Capital. Em regra, eles pedem a retomada dos trabalhos ou, pelo menos, a suspensão da cobrança do pedágio.

“A BR-163 é conhecida como Rodovia da Morte, daí a importância de sua duplicação. As obras, também, gerariam emprego e renda. A população recebeu essa notícia com muita angustia, de maneira negativa. A concessionária parou as obras, mas manteve o pedágio. Com essa união, esperamos que as obras sejam retomadas”, disse o presidente da Câmara de Rio Verde, Anivaldo Moraes de Almeida.

A CCR assumiu a concessão em 2014 e, no ano seguinte, após duplicar 90 quilômetros da rodovia, iniciou a cobrança do pedágio. Dos 845 quilômetros da via entre Mundo Novo e Sonora, o contrato previa a duplicação de 798.  A paralisação da obra gerou, de imediato, a perda de 1,5 mil empregos, segundo representantes de classe.

Para o presidente da Câmara Municipal de Mundo Novo, vereador Gildo Amaral, a retomada das obras é “importante e urgente”. “São aproximadamente 5 mil veículos diários que passam por ali. Temos ainda a distância entre Mundo Novo e Campo Grande: para nos é muito difícil esse trânsito. Com obras paradas, e cobrando o absurdo que é o pedágio, é complicado. É importante e urgente retomar a obra. Importante pois temos um fluxo muito grande de veículos”, cobrou.

O presidente da Câmara de Rio Brilhante, José Maria Caetano de Souza, conhecido como Nô, afirmou que "em Rio Brilhante, da mesma forma que aconteceu em vários municípios, a cidade foi separada. Hoje vivemos mundo de acessibilidade e lá fizeram o contrário, fecharam os acessos às fazendas e não progrediu nada lá para nós. Então não é justo pagar algo que não está sendo usufruído, tem que pagar aquilo que está sendo beneficiado. A Câmara de Rio Brilhante está empenhada nisso. Perdemos 130 empregos no nosso município e isso é muito serio. Queremos juntos com os vereadores fazer uma ação civil pública. Rio Brilhante está aqui em peso, todos empenhados nisso".

Segundo o presidente da Câmara de Caarapó, André Nezzi, a economia do município foi prejudicada com a paralisação da obra. “Tinha bastante mão de obra do município. Há também o prejuízo em relação aos produtores de soja, milho, cana, que é forte em nossa região. Isso, com certeza, deve afetar nosso município, pois é por ali que passa a produção do nosso Estado. Não concordamos com a paralisação dessa obra, nem prorrogação do prazo. Foi compromisso assumido, está em contrato”, cobrou.

O vice-presidente da Câmara de Naviraí, Josias de Carvalho, tem opinião semelhante e destaca os prejuízos causados com o fim da duplicação. “Sabemos que essa obra é importante, até porque essa pavimentação traz melhorias para o escoamento de toda safra que temos no Estado. Além do mais, sabemos que nosso país vive um momento caótico, onde as pessoas precisam ser empregadas. Essa obra, parando, evidentemente trará um transtorno para todos os municípios. Essas empresas, infelizmente, vão ter que mandar seus funcionários embora. Isso trará um prejuízo financeiro para o nosso município”, lamentou.

O município de São Gabriel do Oeste, no norte do Estado, chegou a ser contemplado com pouco mais de 30 quilômetros de pavimentação. A paralisação das obras, no entanto, gerou indignação na população local. “Esta paralisação está acarretando problemas. São Gabriel é uma cidade bastante produtiva, tem soja, chegada de safrinha de milho, a produção de suinocultura no nosso município é o que acaba acarretando. O principal de tudo é a cobrança do pedágio sem a continuidade da obra”, disse o presidente da Câmara de São Gabriel do Oeste, Valdecir Malacarne.

O presidente da União de Câmaras de Vereadores de Mato Grosso do Sul, Jeovani Vieira dos Santos, diz que prefere a manutenção da cobrança do pedágio. Desde que, obviamente, as obras sejam mantidas. “A empresa, quando ganhou a concessão em Mato Grosso do Sul, fez um comprometimento de fazer as duplicações. Sem mais, nem menos, quer paralisar essas obras. Na verdade, gostaríamos que ela mantivesse a cobrança, mas também as obras. Vários pais de famílias são prejudicados, pois ganhavam seu sustento com essas duplicações”, lembrou.

“Tudo isso traz um transtorno muito grande para população de Camapuã e toda a região norte. A expectativa é que toda mobilização possa trazer uma melhora. Despertar nas autoridades e na própria empresa: que essa demanda seja resolvida o mais rápido possível”, emendou Almir Ávila, presidente da Câmara de Camapuã.

Em Itaquiraí, a principal preocupação também é o escoamento da safra. “São inúmeros problemas. Paralisando as obras, eles deixam de duplicar, e isso foi um compromisso que foi feito quando a concessão foi dada. Outro problema: com a duplicação, criaram várias frentes de serviço. Sem a obra, vários pais de família foram demitidos. Sem contar a geração de ISS, que traz recursos para o município. Melhorava consideravelmente a BR-163 para escoar a produção dos municípios. Com a paralisação e as chuvas, são novos buracos, novos transtornos dificultando o transporte da safra”, alertou o presidente da Câmara Edilson Luiz.

Outro que demonstrou preocupação com a paralisação das obras é o presidente da Câmara de Jaraguari, Áureo Tuim. “Não sou contra que cobre pedágio, mas teria que dar andamento nas obras que estão paralisadas porque não é justo que o contribuinte pague o pedágio e não usufrua da duplicação. Em Jaraguari são 42 km de obra e hoje tem concluído praticamente a metade. A outra parte estava em andamento. As obras paralisaram um mês atrás. Foi muita gente demitida com prejuízo na área de trabalho”, afirmou.

Em Eldorado, segundo o vereador Antônio Jorge Santos, a população tem sofrido com o desemprego, principalmente após a CCR se recusar a concluir a duplicação. “Eldorado está passando por uma grande dificuldade, principalmente hoje com a paralisação dessas obras. Muitas pessoas foram demitidas e, com isso, Eldorado já está com um desgaste, falta de empregos, então fica mais difícil com as pessoas paradas no nosso município”, disse.

O presidente da Câmara de Bandeirantes, Jair Pereira, é outro que prevê prejuízos para o município. “Quando viemos para Campo Grande, pagamos por uma coisa que não estamos usando, pagamos um valor de R$ 5,60, um carro pequeno, carro de passeio, só que isso não está dando um transporte de qualidade”.

A população de Nova Alvorada do Sul também se sentiu prejudicada com o fim das intervenções, segundo o presidente do legislativo local, Edir Mesquita. “Além da cobrança arbitrária, ela parou de trabalhar. Então, que eles comecem refazendo a duplicação e pensem em reduzir a taxa que é absurda. Já estamos sofrendo, porque eles já fizeram o fechamento da passagem do meio, e as acessibilidades eles trancaram. A gente fez uma audiência pública, eles ficaram de abrir, mas não abriram porque houve a paralisação da duplicação. Eles não reabriram os acessos, com isso, o fluxo de movimento do comércio, da rede hoteleira, diminuiu mais de 50%”, lamentou.

Para o vereador Professor João Rocha, presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, “esse é um momento extremamente delicado”. “Queria saber se fosse em outro Estado, se a concessionária estaria tratando da mesma maneira que está tratando Mato Grosso do Sul. Temos que tomar uma atitude e chamar para nós essa responsabilidade, porque nós somos o início dos degraus que as pessoas podem recorrer, estamos mais próximos da população. Tomei a liberdade de convidar todos os presidentes de Câmara para que possamos deliberar uma providência. Isso é importante para nossos municípios, para nosso Estado, mas principalmente para o Brasil, pois a BR-163 é um corredor de escoamento de safras agrícolas e pecuárias. Nós temos essa responsabilidade para com o nosso País. Não podemos ficar parados só nessa reunião, temos que continuar nessa mobilização até que algo seja efetivado", disse o vereador.

Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal