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27.06.2018 · Reunião
Em reunião, mães de autistas reclamam falta de atendimento e vereadores propõem audiência pública
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Na tarde desta terça-feira (26), integrantes do PRODTEA (Associação de Pais e Responsáveis Organizados pelas Pessoas com Deficiência e Transtorno Espectro Autista) reuniram-se com os vereadores Papy, Fritz, Enfermeira Cida e Dr. Sami para apresentar detalhadamente todas as demandas e problemas enfrentados na saúde pública e privada de Campo Grande. Na oportunidade e a convite das mães, esteve presente também o deputado estadual Herculano Borges para sugerir possíveis soluções como presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa. 

Na ocasião, as mães pontuaram diversas questões que desrespeitam as leis relacionadas aos autistas, inclusive a principal delas, a Lei Federal 12.764/12  que Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Segundo elas, tanto o plano de saúde privado quanto com o Sistema Único de Saúde é decadente nos atendimentos com seus filhos.

“Simplesmente a empresa do plano disse que nossos filhos não teriam mais o ABA [Análise do Comportamento Aplicada, tratamento realizado com os autistas]. Um número x de pais teve que entrar com um processo contra eles no qual o mesmo comunicou, no seu agravo, que nossos filhos são ‘onerosos para o plano’. Colocam ainda que oferecer o ABA foi um ‘mero erro material’”, relatou Yanara Nobre, mãe do Victor Hugo, de 6 anos.

Lilidaiane Ricaldi, mãe do Miguel de 2 anos e da Maria Elis de 9 anos, explicou que quando o assunto é dependência pelo atendimento do SUS, o problema é tão grave quanto. “Pra acudir um eu to deixando outro de lado: enquanto minha filha [de 9 anos], que está desde 2016 esperando um diagnóstico e eu brigando com a escola para que ela não seja expulsa, eu tenho que fazer de tudo para correr pra São Paulo buscar atendimento para o meu filho [de 2]. Agora vou ver se consigo atendimento pela caravana da saúde, mas o que me desespera é que já tentei de tudo, já conversei com a diretora da escola porque a professora diz ‘ou é ela ou eu’”. 

Em sua fala, Papy explanou as possíveis soluções de cada tópico e sugeriu a realização de de uma audiência pública para tratar diretamente o assunto com cada órgão competente. Na oportunidade, reforçou ainda o seu apoio diante da necessidade da construção de um Centro de Tratamento para o Espectro Autista na Capital. “Sabemos que não é uma tarefa fácil, exige unir esforços. Mas entendemos a importância disso, ainda mais quando se trata de desrespeito com a lei e de uma estimativa tão alarmante”.

Fritz apontou que o primeiro passo deverá ser a compilação de todos os dados e, a partir disso, a criação de um comitê especializado. “Vamos requerer os dados e com a quantidade mensurada nós poderemos começar a construção de medidas públicas partindo para o controle social. Podemos dar como encaminhamento a criação de um comitê para tratar somente de assuntos pertinentes ao autismo em Campo Grande. Feito isso, teremos condições de fazer uma cobrança mais efetiva junto ao prefeito e órgãos competentes”.

A vereadora Enfermeira Cida destacou que esta não é uma luta apenas das mães de autistas, mas de toda a sociedade. “Estou estarrecida porque também sou mãe. Não sou mãe de autistas, mas nem eu, nem ninguém precisa ser para lutar por condições melhores e a favor da inclusão. Concordo plenamente com o Fritz e acredito que este é o caminho, mas, antes de tudo, ver as questões emergentes, porque ficar 2 anos numa fila para fazer uma avaliação e mais 4 pra fazer uma ressonância, não existe”.

Segundo Papy, a data da audiência pública será articulada com as integrantes do PRO D TEA e deverá ser divulgada em breve.

 

Caroline Merlo
Assessoria de Imprensa do Vereador Papy

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